quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Hotel Grindler, Pelotas

Hotel Grindler, Pelotas



A. F. Monquelat
Dedicado ao prof. Samir Curi

Certa manhã de certo dia, caminhando por algumas ruas centrais da cidade, ao lado do meu amigo professor e hoteleiro, Samir Curi, mostrava me ele alguns prédios e me perguntava se eu sabia isso, ou aquilo ou outra coisa qualquer a respeito desse ou daquele prédio por ele apontado, e assim fomos até nos despedirmos, depois de saborearmos um cafezinho no Aquário.
Um daqueles prédios em especial despertou minha curiosidade, aquele em que simultaneamente havia abrigado, no passado, dois importantes estabelecimentos comerciais, que foram a Casa Scholberg e o Hotel Grindler, rua Andrade Neves em encontro com a rua Sete de Setembro. E, desde então, parafraseando o Bruxo do Cosme Velho, fui picado pela mosca azul, ou seja: passei a incluir nas minhas buscas em nossa vetusta Bibliotheca Pública Pelotense e noutras andanças, material sobre a existência de hotéis na nossa cidade, que, devo dizer não sabia que foram tantos os que aqui existiram no decorrer dos anos, localizados nos mais diversos pontos geográficos.
A coleta foi feita no decorrer de anos de pesquisa e, inclusive, dada a quantidade de informações obtidas quem sabe até possa algum dia se transformar em livro, coisa para o qual, de momento me ocorre apenas o título para tal projeto: “História dos hotéis de Pelotas – roteiro histórico”.
Enquanto tal projeto não se materializa, vejamos um pouco da história do Hotel Grindler e de seu fundador, Sr. Carlos Grindler.
O nome Carlos Grindler, que saibamos, surge por primeira vez na imprensa através de uma propaganda de seu anterior estabelecimento, quando da publicação em um canto de jornal veiculado no dia 25 de novembro de 1896, na qual era informado aos leitores que o Café do Comércio, estava localizado à rua Andrade Neves 140, em frente à redação do jornal A Opinião Pública, e propriedade do Sr. Carlos Grindler.
Naquele bem montado estabelecimento, dizia o anúncio, encontrava-se, pela manhã, bom café com leite, magnífico chocolate, bem como fatias de gemada e ditas de chocolate, caprichosamente feito.
Durante o dia haveria excelente café, bebidas frescas e o serviço de restaurante satisfaziam aos paladares mais exigentes, estando à direção do serviço a cargo do proprietário, que se esforçaria em bem servir aos amáveis fregueses.
Aos domingos, havia o suculento mocotó e canja de galinha.
O estabelecimento ficava aberto até a meia-noite.
Em meados de janeiro do ano seguinte, 1897, o Café do Comércio era motivo de nota na imprensa local, na qual era dito que esta conhecida casa vinha ampliando o seu serviço de restaurante, fornecendo excelente comida e aceitando pensionistas.
O Carlos Grindler, segundo a nota, fizera bem em ampliar tal serviço da casa, pois preenchia com isso uma falta que se notava em pelotas, que era a de um estabelecimento que fornecesse boa comida, por bons preços, e prestasse serviço de pratos à minuta.


Inauguração da Casa de Pensão, embrião do futuro hotel


Em junho de 1897, sob o título de “Casa de Pensão Carlos Grindler”, era anunciada para o domingo, dia 27, a inauguração desta casa, única em seu gênero, possuindo excelentes cômodos, vasto refeitório, decorado, sala reservada e etc.
A casa forneceria boa comida, tendo sempre bons líquidos em estoque.
Garantia serviço correto e sem delongas, se comprometendo seu proprietário ao escrupuloso cumprimento de seus compromissos.
Encarregar-se-ia de preparar, ao paladar do cliente, qualquer prato extraordinário.
Verificassem e tratassem diretamente com o Sr. Carlos Grindler, à rua Andrade Neves nº 151 (sobrado), onde estivera o Club Caixeiral.


Continua...



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Fonte de pesquisa: CDOV – Bibliotheca Pública Pelotense
Imagens: acervo de A.F. Monquelat
Revisão de texto e postagem: Jonas Tenfen

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O coqueiro da Casa Scholberg e outros coqueiros

O coqueiro da Casa Scholberg e outros coqueiros

A.F. Monquelat
Colégio Gonzaga

        A atual Rua General Neto em seus primórdios, pelos idos de 1815 a 1835, provavelmente tenha sido chamada pelo nome de Rua Coqueiro, passando a partir de 1835, a ser denominada de Rua da Palma. Seja lá como esta mudança de nome tenha se dado, pode-se dizer que se trata de uma clara alusão à existência, àquela época, de um ou mais coqueiros na rua central da cidade.
Meados de março de 1885, quase todos, senão todos os jornais da cidade, noticiaram um fato inusitado ocorrido em Pelotas: a morte de antigo coqueiro, tendo como causa o efeito da explosão de três bananas de dinamite, e, como autores os niilistas da cidade.
A vítima, para alguns de idade quase centenária e para outros contando poucas décadas, era moradora à Rua São Miguel [atual 15 de Novembro] esquina com Sete de Setembro e servia de referência ao estabelecimento comercial do Sr. Sampaio [fundador da célebre loja Bule Monstro], tratado com todo o cuidado pelos moradores da quadra, que após o desaparecimento do coqueiro da esquina, sentiram muito a sua falta sem deixar de amaldiçoarem os autores daquele ato vandálico.
Examinado foi o corpo da vítima, a polícia local se pôs no encalço dos autores do atentado sem conseguir detê-los. Foi constatado que o tronco do finado coqueiro havia sido minado, em parte, onde introduziram três bananas de dinamite, cujo uso era bastante comum na época apesar das restrições impostas pela câmara municipal, prendendo fogo por meio de um comprido estopim.
Os coqueiros, ao que tudo indica, sempre estiveram presentes na paisagem e, em especial, em muitas das esquinas da cidade.
Outro, e centenário, coqueiro da cidade, cantado em prosa e verso por algumas gerações de conzagueanos, era o da esquina do Colégio Gonzaga, dali removido no ano de 1954 pela prefeitura, porque este, dada a sua desafiadora inclinação, tal qual a Torre de Pisa, punha em risco não somente os veículos que por ali transitassem bem como os transeuntes, incluindo os estudantes da própria instituição de ensino.
Há indícios de que, em frente ao antigo sobrado do Barão de Correntes [Felisberto Inácio da Cunha, 1824-1896], havia um centenário coqueiro. Em virtude do violento temporal que se abateu sobre a cidade entre os dias 19 e 20 de setembro do ano de 1934, causando enormes prejuízos, dentre esses o tombamento das inúmeras árvores provocou o desaparecimento do centenário coqueiro.
No entanto, que saibamos, nenhum outro coqueiro elevou tão longe o nome da cidade de Pelotas quanto o coqueiro localizado à frente da Casa Scholberg, rua Andrade Neves esquina rua Sete de setembro, coqueiro esse que serviu como marca registrada não somente para o próprio estabelecimento comercial, quanto para ser usado como a imagem gravada, nos artigos desta célebre casa.
Fundada em 1850, a famosa casa Scholberg teve como primeiro proprietário o Sr. Vicin Laport; com a morte deste, a razão social passou a ser Viúva Laport & Irmão.
Durante muitos anos, a casa Scholberg foi dirigida pelo Sr. Alexandre Gadret.
No decorrer dos anos de funcionamento da Scholberg, sucederam-se as firmas Scolberg & Gadet; Scholberg, Joucla & Silva e Scholberg & Joucla.
Em novembro de 1888, era noticiado que no dia 17 daquele mesmo mês estaria reabrindo para o público a grande e importante fábrica de armas de fogo e instrumentos cirúrgicos dos Srs. Scholberg, Joucla e Silva, que fora transferida para o novo prédio, situado à Rua Sete de Setembro, esquina da Andrade Neves.

Nova inauguração da “Casa Scholberg”

No vasto prédio, à Rua 7 de Setembro, esquina da Andrade Neves, onde estivera o Banco do Brasil, dar-se-ia, dia 3 de outubro de 1926, a inauguração, da antiga “Casa Scholberg”.
O prédio para o qual se mudara a “Casa Scholberg”, a fim de poder ser adaptado às necessidades desta, recebera importantes obras, que o tornara um edifício à altura dos créditos da conhecida casa comercial.
Para que a tradição não sofresse solução de continuidade, à esquina foi plantado majestoso coqueiro, emblema e divisa da “Casa Scholberg”. Mas este coqueiro já é outro, e tem ele outra história, a qual de momento não vem ao caso.
. O coqueiro anterior, existente no endereço confronte onde, na parte superior do prédio desde 1888 funcionou na parte térrea a Casa Scholberg, e na parte superior o Hotel Grindler fundado em 1897 pelo Sr. Carlos Grindler, é o coqueiro que foi vitimado pelo forte temporal que assolou a cidade na noite de 11 para 12 de junho de 1927, para o qual, em sua memória foram feitos os seguintes versos, pelo Sr. P. A. Luz e dedicados ao Sr. capitão Silvino Joaquim Lopes, na época um dos sócios da Scholberg:

Velho Coqueiro
Tu me perguntas a história
Daquele triste coqueiro,
Que sempre viste altaneiro
Na esquina do “Joucla”,

Pois bem, resumidamente,
Vou contar de uma só vez
O que me disse um veterano
Há pouco menos de um mês;

Transportado para ali
O nosso protagonista.
Era ainda um pigmeu.
Com tamanho igual ao teu, 
De lindos ramos contido
Quando a terra ele desceu
Quando a terra ele desceu, 
Debaixo de um alarido...

Assistiu seu plantamento
Um preto de idade avançada,
Que passava no momento,
Cheio de vida e ardor,
Trazendo a mão enlaçada
Na do pretinho seu filho,
Por alcunha “ferrador”;

E debaixo do ajuntamento
Do povo que então estacava,
Era com o acatamento
Daquela gente que olhava,
Metido em funda cova
Na esquina que aludi,
Um filhote de coqueiro, 
Com saúde a toda prova;

E sobre os transtornos do tempo,
Foi crescendo, pouco a pouco,
Dia e noite foi crescendo
De verdejantes repleto
Até que a natureza,
Com sua vasta realeza,
Com sua vasta realeza, 
O aumentou por completo.

Assim, viveu muitos anos, 
Sempre alegre e admirado
Por todos que ali passava,
Até que ultimamente, 
Com a mudança do negócio
Ficou o pobrezinho,
Para a esquina em frente,
Triste...só...abandonado...

Numa tarde, tarde horrenda,
Onze de junho lembrada,
Caiu sobre a cidade
Vento e chuva em rajada;
E, no outro dia mui cedo,
Embora o frio que fazia,
Saindo a ver os destroços
Me dirigi para lá;
E qual não foi a surpresa,
Ao deparar na valeta, 
Que sobre o pé da sarjeta
Um corpo rolava já!...

Aí tens a história que pedes
Do coqueiro do “Joucla”.


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Fonte de pesquisa: CDOV – Bibliotheca Pública Pelotense
Imagens: acervo de A.F. Monquelat
Revisão de texto e postagem: Jonas Tenfen

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O célebre baile das cozinheiras - Primeira Parte

O célebre baile das cozinheiras 

Primeira Parte



A.F. Monquelat

    O local onde provavelmente funcionou o célebre baile das cozinheiras, entre as décadas de vinte e trinta do século XX à praça Piratinino de Almeida, seja o mesmo em que no dia 8 de dezembro de 1912 a imprensa local tenha se referido como onde funcionava o “maxixe desbragado” no qual o chofer do auto nº 42 da garagem Fabres, Lourival Ávila foi  “despojado” do seu relógio pela mundana Maria Assis. Esta o havia convidado para dançar. 
A “meliante”, segundo o jornalista, deixara o seu par a “ver navios e deu sebo nos calcanhares” não sendo encontrada pelo motorista no local onde residia, no famoso corredor do Pimpão (Rua Riachuelo, hoje Lobo da Costa, nas proximidades do Camelódromo).
Lourival deu queixa à polícia “que estava agindo”.
Ainda que no local rolasse um maxixe desbragado, frequentado por mundanas despojadoras de relógios, não foi isso o suficiente para estabelecer a fama que nas décadas seguintes o local viria a desfrutar a ponto de ser fechado várias vezes pelas autoridades por denúncias da imprensa.
O nome Baile das Cozinheiras surgiu por primeira vez na imprensa em matéria publicada no A Opinião Pública de 4 de março de 1929.  Nesta qual é dito que na sede da Sociedade Floresta do Sul, mais conhecida por Baile das Cozinheiras e onde cada reunião quase sempre terminava em grossa desordem, houve uma discussão no dia anterior, por volta das 2 horas da madrugada, entre João Francisco Oliveira e outros.
Nessa ocasião, um indivíduo que Oliveira supunha ser Basílio de tal, agrediu-o pelas costas, vibrando-lhe três golpes de arma branca que lhe cortaram o paletó, sendo que um o atingiu na região parietal esquerda até a orelha.
Foi ele medicado na Santa Casa e aí ficou, retirando-se no dia seguinte para sua residência à rua General Osório.
Dia 1º de janeiro de 1930, à noite, no Baile das Cozinheiras, Rosa Lemos e Tolentina Nogueira desentenderam-se por causa de uns olhares ensopados de ternura de um rapaz. Trocadas algumas palavras ríspidas, Tolentina, capoeira de saia, vibrou uma cabeçada no ventre de Rosa, com tal força, que a jogou ao chão. Sob fortes dores, a vítima foi conduzida para a Santa Casa, onde ficou internada na enfermaria Nunes Vieira.
Tolentina, após a marrada, fugiu, não sendo encontrada pela polícia.
Em abril de 1932, sob o pseudônimo de Pelotense, publicou o jornal O Libertador em uma de suas colunas que a polícia julgava-se com o direito de proibir a exibição de filmes com excesso de beijos e redução de roupas. Parecia impossível, segundo o articulista, mas havia filmes com mais beijos e menor roupas do que os que, nos cinemas locais, não poucas vezes, eram vistos... Muito mais atentatórios da moral pública, do que tais filmes eram os bailes públicos que em Pelotas se realizavam, com o nome de Bailes das Cozinheiras que, além de indecorosos, eram turbulentos.
Quantas vezes já haviam ocorrido em Pelotas, nos últimos anos, crimes nos Bailes das Cozinheiras!
Há um ano, mais ou menos, prosseguia o jornalista, depois de uma série de violentas desordens, companheiras inseparáveis das farras onde a prostituição e o álcool se reuniam, a polícia proibira os bailes públicos, ordenando o fechamento de suposto clube.
Mas, havia meses, o mesmo suposto clube, mudando o nome, porém conservando as suas torpezas, voltara a funcionar.
No dia anterior, verificara-se mais uma desordem na perniciosa casa de baile.
Se a polícia não podia evitar que nos bailes públicos ocorressem os conflitos, como sempre ocorriam, por que não os proibia de vez, indagava o jornalista.
Seguindo o baile, vamos nos deparar com a notícia de 15 de abril de 1932, onde era dito que, apesar de noticiado o fechamento do celebrizado Clube 3 de Outubro, mais conhecido pelo nome de Baile das Cozinheiras, continuava este foco de desordens em pleno funcionamento.
Dia 14 ainda, aconteceram naquele local as mesmas deploráveis cenas de sempre.
O pessoal arruaceiro, que ali se reunia, promoveu nova baderna da qual resultou a prisão das “crioulas” Maria de Lourdes e Maria Pereira.
A desordem foi tal que até o muro de um prédio vizinho foi derrubado pela parte dos fundos do famigerado clube.
Acrescia que, a algazarra, as palavras pornográficas e toda uma série de inconveniências tornavam o local inaceitável.
As famílias que residiam nas redondezas reclamavam contra aquele estado de coisas que vinham até prejudicando o proprietário de um prédio ao lado do tal “baile”, pois ninguém havia que se animasse a alugá-lo.
Não era possível conceber que um antro daquela natureza fosse digno de proteção para que até então continuasse a afrontar a moral e o sossego público.
Urgia que se tornasse efetiva a medida saneadora, há dias anunciada e que consistia no fechamento definitivo do pseudoclube.
Outro jornal da cidade, no mesmo dia, dizia que em um desafio à moral pública e às próprias autoridades, o celebrizado Clube 3 de Outubro (Baile das Cozinheiras) içara hoje (16-04-1932) a bandeira, o que significava que, apesar de todas as reclamações e as contínuas desordens ali ocorridas, naquela noite haveria novo baile e novas arruaças.
Esse descaso pelo sossego e ordem pública estava sendo objeto de comentários pela cidade.
Para o jornalista de O libertador, era, francamente, estranhável que, depois de uma ordem dada diretamente pela Prefeitura, no sentido do fechamento do Baile das Cozinheiras, esse pseudoclube anunciasse bailes, como o repórter daquele jornal verificara naquela manhã, ao passar pela frente da sede daquele “foco de torpezas e desordens”, ao ver os cartazes colocados à sua frente, anunciando para “logo mais” à noite um baile.
Quarta-feira última, continuava o jornal em sua denúncia: um jornalista de outro jornal da cidade, autorizado, acreditava ele, noticiava que o Sr. Dr. Victor Russomano, vice-prefeito, ordenara o fechamento do Baile das Cozinheiras.

Continua...


Fonte de pesquisa: CDOV – Bibliotheca Pública Pelotense
Imagens: acervo de A.F. Monquelat
Revisão de texto e postagem: Jonas Tenfen

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Dominguinhos, o mais que centenário

pelotasdeontem.blogspot.com

A. F. Monquelat



Certa feita, publiquei uma série de artigos sobre alguns dos muitos tipos folclóricos e ou populares da cidade de Pelotas, dentre esses, propositalmente, deixei de fora o mais que centenário e popular Dominguinhos, cujo nome é Domingos Moreira. O motivo que me levou a tal decisão foi o fato de não haver muitos dados sobre o nosso personagem e os poucos que por aí circulam, além de pouco confiáveis, são preconceituosos.

Em meados do ano de 1911 o jornal Diário Popular de Pelotas publicou em suas páginas fotos e dados, ainda que poucos, sobre alguns personagens mais que centenários da cidade, e lá se encontrava o nosso Domingos Moreira, o popular Dominguinhos.

Dominguinhos, assim como outros apontados pelo jornal, na ocasião estava recolhido ao Asilo e gozava de boa saúde.

Ao lado da foto, em uma espécie de moldura, era dito que aquela figura era a do popular e muito conhecido Dominguinhos, o qual, não poucas vezes, fora visto nas ruas da cidade dançando, cantando e rindo com a rapaziada, que o apreciava muito, pelo caráter alegre que possuía.

Recolhido ao Asilo há mais ou menos um ano, “conta 130 anos”. Natural do Congo foi para a Bahia, já casado. Sendo vendido como escravo para o Rio Grande, veio, depois para Pelotas, onde casou pela segunda vez.Passava os dias ao sol, cantando e comendo rapaduras, das quais muito gostava.

Diante da precariedade de dados expostos na matéria publicada pelo Diário Popular, sobre alguns personagens centenários da cidade, podemos dizer e lamentar que o jornalista, perdeu, naquela ocasião, a oportunidade de nos legar uma importante reportagem sobre um vulto de tão longa e experiente vida.

Não muitos meses após a publicação da matéria, voltava o Diário Popular a falar sobre Dominguinhos, mas, desta vez, na coluna “Necrologia”, para informar aos seus leitores que falecera, nesta cidade, Domingos Moreira, africano e contando 110 anos de idade.

Observe o leitor que o próprio jornal ao noticiar a morte de Domingos Moreira, em 13 de junho de 1912, que antes dissera ter Dominguinhos 130 anos, dizia agora ser este, africano, contando 110 anos.

Antes de prosseguirmos com a leitura de outras fontes sobre a morte de Dominguinhos, é preciso considerar que, embora de forma bastante sucinta, podemos considerar a reportagem do Diário Popular, sobre os tipos centenários de Pelotas, a principal responsável pela divulgação e permanência entre nós desta popular figura que, inclusive, virou um dos inúmeros cartões postais da Editora Meira, com circulação aérea desde o ano de 1911 e, posteriormente, incorporado ao livro A cidade de Pelotas, em 1922.

O autor da obra, Fernando Osório, não somente utiliza os mesmos dados publicados pelo Diário Popular, bem como reproduz o postal da Meira com a foto de Dominguinhos, e dá asas a sua fértil imaginação,  ao acrescentar: “(...). Como o carneiro do batalhão, cheio de guizos e fitas, surgia o vulto grotesco, minúsculo, quase invisível, do Dominguinhos, trovador da cor inconfundível do carvão, dançarino incansável que atravessou a vida sempre carreando o peso da desventura, constantemente a rir, a cantar e a dançar, para ver se a boa sorte despertava do sono que para ele seria eterno...”

“Aquele metro de gente durou mais de um século (107 anos), a esperar a morte. Pobre alma! Nasceu quando o século XIX tinha apenas oito anos; o século expirou e ele sobreviveu; o século foi das luzes, morreu numa apoteose de grandezas e ele viveu sem luz para morrer numa apoteose de misérias; a morte parecia ter se esquecido de o levar na onda, o século viveu numa orgia de sol e ele, sempre negro, atravessou-o na ignorância profunda, e quando o novo século surgia numa alvorada polar bizarra, cortada pelo jato dos holofotes e pela asa leve e ligeira dos aeroplanos, o Dominguinhos desceu à terra, e nem os sete palmos clássicos os seus  despojos ocuparam, que tanto não tinha ele de altura, mas a memória de cinco gerações está cheia dessa figura de preto que se fez branco para viver na tradição.”

Deixando de lado a fértil criatividade e os gongóricos preconceitos do autor de A cidade de Pelotas, vejamos duas notícias mais sobre a morte de Domingos Moreira, sendo que o jornal A Opinião Pública de 13 de junho de 1912, sobre o ocorrido diz que no dia 11 daquele mês falecera o conhecido Dominguinhos que se achava internado há tempos no Asilo de Mendigos e contava 130 anos de idade.

Domingos Moreira, como se chamava, era um tipo popular, alegre, sempre pronto a servir de brinco, principalmente das crianças, que ele sempre recebia carinhosamente.

O Dominguinhos era africano e, segundo o jornal, guardou sempre, apesar de encanecido pela longa idade, nítidas recordações da era primitiva de Pelotas, para onde viera com tenra idade.
Concluía o jornalista desejando paz aos seus manes [ancestrais].

E por último o jornal A Tribuna, de 13 de junho, que nos informando que: no asilo de Mendigos onde se achava recolhido falecera anteontem o popular preto velho Dominguinhos.

Domingos Moreira contava para mais de um centenário de existência e só recolheu se ao leito daquela instituição nos últimos dias de sua longa vida, quando se sentiu desalentado para prosseguir no labutar constante da luta pela existência.

Dominguinhos, prossegue o jornal, sempre a cantar, tendo sempre um riso franco para os que dele se acercavam, era amigo de todos e por isso não conhecera inimigos.

As crianças, então, eram o seu predileto entretenimento e só elas faziam, muitas vezes, o Dominguinhos parar por momentos na rua para responder-lhes ao ser interpelado: “Quantos anos tens? – Só dois dias, o dia em que nasci e o dia em que vou morrer.”

Que descansasse em paz o Dominguinhos, concluía o jornalista.



Fonte de pesquisa: CDOV- Bibliotheca Pública Pelotense
Revisão do texto e postagem: Jonas Tenfen

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Pelas ruas de Pelotas


    
A.F. Monquelat

                                                                                Jonas Tenfen


Pelotas, a exemplo de outras cidades, viu circular por suas ruas diversos tipos de pregoeiros de mercadorias em domicílio, desde o aguadeiro, quitandeiro, cabungueiro, engraxate, vendedor de aves, carvoeiro, verdureiro, leiteiro, padeiro, ervateiro, afiador e tantos e tantos outros ambulantes que, ao decorrer dos anos, foram sofrendo influências e se readequando aos novos tempos. Ou simplesmente desaparecendo.
     De toda essa miríade de saberes e fazeres que está na constituição da cidade, iremos aqui nos ater a dois exemplos de profissionais que exerceram seus labores pelas ruas de Pelotas.

     O afiador



     
Um desses tipos chegou até a década de 80 do século XX: o afiador, que ainda fazia rodar sobre o calçamento da cidade as suas primitivas máquinas, que costumávamos ver em nossa infância.
     Ainda que todos, ou quase todos, os ramos da atividade humana tivessem sofrido, naquelas últimas décadas, várias influências do progresso, as máquinas de afiar, acreditamos, continuavam seguindo as mesmas linhas e oferecendo o mesmo aspecto do passado.
     Esses prestimosos servidores das populações das cidades percorriam as ruas, diariamente, fazendo soar a sua gaita típica.
     O som daquela gaita anunciava, tanto à dona da casa ou à empregada doméstica, que se encontrava em dificuldade para cortar com a faca “cega” a carne do almoço, como ao açougueiro, ao barbeiro, ao alfaiate, enfim, a todos que diariamente eram forçados a utilizar-se, para o desempenho de suas atividades, de instrumentos perfurocortantes, que o homem que poderia resolver o problema estava chegando para dar melhor gume aos seus instrumentos de trabalho.
     Uma das particularidades interessantes a ser assinalada era da inexistência de descendentes de outras nacionalidades na atividade de afiador que não a espanhola, pois todos os profissionais vistos pelas ruas da cidade, empurrando pacienciosamente suas máquinas de madeira, ruas à fora, eram, em Pelotas como na maior parte das cidades brasileiras, filhos da terra de Cervantes.
     Na década de 50, existiam seis ou sete afiadores, todos oriundos da Espanha. Um destes, exercendo aquela árdua profissão em Pelotas há mais de vinte anos ininterruptos, era, provavelmente, o mais antigo afiador da cidade. Chamava-se ele José Fernandes Gonzalez, que viera para o Brasil via Cuba e outros países da América Central, há coisa de mais de trinta anos.
     Em Pelotas, Gonzalez exerceu, de início, outra profissão antes de adotar aquela em que se ocupava na época. Trabalhara como capataz no serviço de esgotos.
     Deixando essa função, tornou-se afiador e não mais abandonou a máquina que, por sinal, era a mesma com a qual se iniciara na “arte”.
     Apesar da fama de comedidos nos gastos eram os espanhóis, de maneira geral bastante limitados nas despesas e procurando reunir, a todo custo, um “pé-de-meia”, fosse qual fosse a atividade em que se ocupavam.
     Entretanto, Gonzalez, que era natural da Galícia, certa feita, quando entrevistado, disse ao repórter que mal conseguia obter o estritamente necessário para o seu sustento e o de sua família, que não era muito numerosa.
     Cobrava ele, na ocasião da entrevista, três e quatro cruzeiros por faca ou tesoura que lhe confiavam para afiar, mas apesar de trabalhar de sol a sol, nunca conseguira reunir economias, nem mesmo uma casa para morar pôde ele adquirir.
     Gonzalez morava em casa alugada e teria que desocupá-la, pois fora vendida.
     Contava Gonzalez com 60 anos, cinco filhos, sendo um deles casado. Sua esposa, ele a conhecera em Pelotas, onde se casou pouco depois de sua chegada a cidade.
     Pelotas inteira o conhecia. Era comum que desconhecidos a ele confiassem instrumentos das mais variadas espécies para dar fio ao gume.

Doutores das ervas



Dizia ele também que entre os frequentadores da tal casa notavam-se vários índios peruanos, “desses que por aí andam de sacola às costas vendendo  remédios”.
                                                                             Pelotas dos Excluídos


         A referência acima, retirada da obra Pelotas dos Excluídos, diz respeito a um episódio registrado pela imprensa da cidade, no ano de 1875, ao denunciar as atividades de uma “feiticeira” (proto-mãe de santo), cuja casa era também frequentada por esses peruanos, vendedores de ervas que andavam pelas ruas da cidade.
         Dentre as conotações de desprezo manifestas pelo jornalista no corpo do fato, salta aos olhos o descaso e descréditos atribuídos ao uso de ervas como “remédios”, quando não por serem estes empregados por uma negra africana em suas atividades.
            De qualquer forma, e cada vez mais presente na medicina popular e caseira, tanto as ervas quanto aqueles que se dedicam ao seu comércio, sobreviveram aos tempos, ainda que raramente sejam vistos oferecendo “remédios”. Como era o caso do Sr. Carlos Alves, negro quase centenário - retrato de um infame e cruel passado- que, ao ser abordado e perguntado sobre a eficácia de seus “remédios”, respondeu: “Pra tal di pinicilina eu tenho catinga di mulata, que cura até calo arruinado”. Hoje sabemos que, dentre outras propriedades, erva citada serve para amenizar dores articulares e reumáticas.
         Curioso com a informação dada pelo Sr. Carlos Alves, resolveu o jornalista ouvir aquele negro teso, quase centenário, sorridente, sustentando um saco de “ervas curativo” às costas, ministrar ensinamentos sobre a arte de curar, sobre os efeitos de suas drogas e as consequências que elas provocavam:
         - Curam as dores do corpo meu filho – disse-lhe o Sr. Alves, mostrando os farrapos de sua indumentária, acariciando um galho de carqueja - e acrescentando: - Estou assim de faceiro, gosto muito da profissão. Eu sou “doutor” há não sei quantos anos...
         Carlos Alves disse ter um passado muito sinuoso, tão repleto de episódios que na revolução de todos aqueles acontecimentos sentia lhe faltar, com frequência, a memória e se dizia ser “hoje um homem do presente”.
         - Não lembro bem o que passou. Vivo o dia de hoje. O passado é uma coisa que não me interessa. Gosto mais do instante. Gosto mais do instante, de vender minhas ervas, de curar meus irmãos.
         Disse o repórter ser Carlos Alves possuidor de uma filosofia muito própria, humana, e ser também um dos últimos representantes dos tempos do “pajé curandeiro”. Ia arrastando seus anos com paciência, divertido, às vezes engolindo um trago de aguardente de cana.
         E, pondo o ponto final na entrevista com o jornalista, disse ele:
         - Tenho curado muita gente. Agora quero que me deixem morrer em paz. Acho que o pessoal não precisa mais de mim. Antigamente a coisa era diferente. Hoje até se morre menos...






quarta-feira, 11 de julho de 2018

Peludiando com Simões Lopes Neto






        
         Quando, às 12h53min do dia 21 de novembro de 2014, me deparei no jornal A Opinião Pública com o texto denominado de “Peludices”, não tive dúvida alguma tratar-se de mais um dos Joões postos em cena por Simões Lopes Neto.

         Neste texto, ainda que não sejamos especialistas da obra do autor de A família Marimbondo, notam-se muitos sinais que nos levam a crer que tal pseudônimo trata-se de mais um João a engrossar as fileiras da Companhia de Joões, que Simões Lopes Neto fez desfilar pelas páginas dos jornais da cidade, qual seja: o de João Peludo.

         E, considerando o velho ditado: o apressado come cru, resolvi amadurecer a ideia antes de entregá-lo aos leitores. O que faço tardiamente, já que pouco ou nada acrescentaria tal texto à já consagrada, visitada, revisitada e nunca completa obra de Simões Lopes.

          

 
“Peludices


         Andei por Canguçu, a ver se conseguia explorar alguma mina de ouro, azougue [o mesmo que mercúrio] ou mesmo ferro, porém, esses minérios, não querendo compartilhar da assaz decantada crise que assola esta santíssima terra, sumiram-se, aprofundaram-se, como que fugindo espavoridos da furiosa algibeirite aguda [escassez de dinheiro] que tantos males tem causado.

         Não conseguindo o que almejava, vim, como “a folha que o vento da fortuna impele” [verso do poema A Judia, de Tomás Ribeiro], sondar a Princesa ... [referência à cidade de Pelotas, a princesa do sul].

         E não me arrependo.

         Estou, posso contar como certo, rico, muito rico, podre de rico!

         Ó ventura!

         Ferro, ó ferro!

                   Vou contar como consegui saciar a minha desmedida ambição, mas, por enquanto, peço muita reserva.

         Fui convidado para assistir a uma sessão espírita; e, na sala, repimpado [bem sentado, bem acomodado], numa cadeira de pau, observei boquiaberto, o estupefaciente evento que se desenvolvia entre o meu olho (uso do singular, por ter um olho só; o outro saiu preso à catarata, quando me operaram) e fiquei gostando da sessão, de tal maneira, “que não conheço coisa que mais queira”. Permita-me o querido irmão-chefe que eu narre algumas das muitas merveilles [maravilhas] que presenciei.

         Um irmão, já meio velhote, a quem os outros chamavam de seu Chico, evocou um espírito, e, entre outras amargas recriminações, censurou-o por ter andado a passear de bonde.

         O espírito, que não pude distinguir se era o do Castro Malta [João Alves de Castro Malta, caso que se tornou famoso no Rio de Janeiro em meados dos anos de 80 do século XIX] ou o do Castro Urso [um dos tipos populares do Rio de Janeiro no século XIX e que foi morto por um “perverso” em 21 de setembro de 1889], desfazendo-se em pranto, “sentido e santo” [alusão a Missa de Cristo Rei], protestou que não entraria mais em bondes, indenizou o Chico da despesa, fez umas piruetas e evaporou-se.

         Um outro irmão evocou um Espírito que, ao aparecer, bradou com voz de trovão:

         - Vamos!

         - Onde? balbuciou o pobre rapaz.

         - A...

         Não, não digo o nome que o invocado disse, porque é tão feio, tão feio...

         Conquanto se trate de uma coisa comum ao reino animal, com exceção do carrapato, eu não devo repeti-lo, para não arranhar os delicados tímpanos de vossos mimosos ouvidos.

         A base, pois, de minha próxima opulência, está firmada:

         Vou abrir a concorrência pública uma agência espírita, que substitua, com vantagem, o telégrafo, a navegação aquática e aérea, telefone, etc., etc., por módico preço...

                                                                     
      João Peludo.”


 Nota: As informações contidas dentro de colchetes são explicações do pesquisador. 
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Fontes de pesquisa:
Bibliotheca Pública de Pelotas-CDOV
Acervo documental e iconográfico de A.F. Monquelat
Postagem: Bruna Detoni

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Cinema Universal – Pelotas


A.F. Monquelat

Dentre os vários cinemas que a cidade de Pelotas inaugurou e hospedou durante o decorrer de sua história, pelo menos um deles, ao que nos parece, não foi percebido pela lupa daqueles que se dedicaram e se dedicam a escrever sobre estas casas de entretenimento e diversão, ainda hoje, tão ao gosto de muitos, que foi o Cinema Universal.
Anúncio do Cinema Universal na imprensa pelotense

Das poucas notícias que encontramos sobre o Cinema Universal, a primeira delas foi a do dia 29 de dezembro de 1916, na qual era dito que a nova casa de entretenimento seria inaugurada no domingo próximo, dia 31 de dezembro daquele mesmo 1916, no salão situado à  Rua 15 de Novembro nº 728,  quadra entre as ruas Dr. Cassiano e Voluntários.

O estabelecimento, segundo notícia de época, estava montado com gosto e decorado de forma singela, mas elegante, dispondo de vários ventiladores, sendo que um deles possuía aparelho de sucção para extração do ar quente da sala.

Possantes lâmpadas elétricas forneceriam farta iluminação. A cabine era forrada de zinco, a fim de prevenir qualquer acidente, e o aparelho projetor, completamente novo, como não havia igual no Estado.Havendo ainda uma sala de espera, entre duas portas que davam para o salão.

A inauguração do novo cinema estava marcada para as 14h30, com uma soberba matinê dedicada ao mundo infantil.

À noite aconteceriam novas sessões com filmes desconhecidos do público, mas segundo a direção de apurado trabalho artístico.

Durante as projeções, seria ouvida uma afinada orquestra.

Em 30 de dezembro era anunciado que, dia seguinte, às 14h30, seria inaugurado o novo Cinema Universal, no salão à Rua 15 de Novembro nº 728.

Àquela hora, haveria atraente matinê e a noite, novas sessões com selecionadas películas.

A entrada custaria 1$000.

Sobre o ato de inauguração, não encontramos registro algum nos jornais da cidade.

É provável que a inauguração tenha ocorrido dias depois da data prevista, pois, segundo notícia encontrada no Diário Popular: inaugurou-se anteontem [07-01-1917] o novo salão Cinema Universal, a Rua 15 de Novembro nº 728.

Nas duas sessões, à tarde e à noite, foram passadas interessantes fitas, que agradaram ao numeroso público que ali acorreu.

A próxima nota sobre o novo cinema, publicada em 9 de janeiro de 1917, diz que prometiam grande sucesso as sessões daquela noite.

Seria exibida a empolgante fita “Essas mulheres”, em 10 longas partes.

Aos 17 dias do mês de janeiro de 1917, o jornal O Rebate   comentava que “A Caixa Misteriosa” era uma concepção cinematográfica pertencente ao gênero dos dramas policiais e, dividida em 30 partes, repetidas por 15 séries.

Era no ramo a que se propunha o trabalho mais completo até então saído das fábricas cinematográficas.

O Cinema Universal, “ainda de curta vida, mas de largo conceito”, querendo oferecer aos seus habitués um filme, como esse de real valor, embora com sacrifício, mostrava assim o desejo que tinha de servir ao público da melhor maneira.

A breve exibição de “A Caixa Misteriosa”, era disso prova incontestável.

O público, por certo, saberia retribuir os nobres intentos da empresa do Universal. Filme este cuja exibição fora uma homenagem ao “valoroso Clube Brilhante”.

Não muitos meses depois de sua inauguração, as notícias sobre o Cinema Universal na coluna dos jornais da cidade, “Theatros e Cinemas”, cessaram por completo. O que nos leva a supor que a vida do Cinema Universal tenha sido curta.



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Fonte de pesquisa: Bibliotheca Pública de Pelotas/CDOV
 Revisão do texto: Jonas Tenfen
Tratamento de imagem e postagem: Jonas Tenfen